ūüóěÔłŹ Maus-tratos a animais ainda √© um crime que recebe pouca aten√ß√£o da sociedade

c√£o em estado de abandono na rua
Foto: Patricia Oliveira / Flickr

No próximo dia 28 completará um ano do assassinato cruel da cadela Manchinha, praticado por um segurança de uma loja do Carrefour na cidade de Osasco, na Grande São Paulo. Após o crime, houve uma intensa onda de protestos da população e de ativistas em defesa dos animais com repercussão em todo o país, o que provocou o engajamento da envolvida rede de supermercados francesa na adoção de uma série de medidas em prol de animais junto à sociedade.

Apesar de toda a legislação acerca da proteção à fauna brasileira, a vedação constitucional da prática de crueldade e a criminalização dos maus-tratos, a violência dirigida a cães e gatos (e não só a estes, mas contra muitos outros animais, tais como cavalos, aves, pombos, jumentos, porcos, bezerros, galinhas, cabras, bois, dentre tantas outras espécies) infelizmente não é um caso isolado.

Segundo a reportagem abaixo, pesquisa do Ibope mostra que 9 a cada 10 pessoas presenciam alguma situa√ß√£o de maus-tratos contra animais, sendo que apenas 2 denunciam. Ao que tudo indica, esse levantamento considerou apenas animais dom√©sticos (c√£es e gatos), os quais costumam receber maior considera√ß√£o do p√ļblico em geral.

Imagine só se entrasse nessa conta toda forma de tratamento que, em maior ou menor grau, possa ser entendido como cruel, especialmente em práticas corriqueiras Рsocialmente aceitas, porém desnecessárias Рque envolvem outras espécies de animais, além de cães e gatos.

H√° muito a ser feito pelo Poder P√ļblico na prote√ß√£o dos animais dom√©sticos, domesticados, silvestres, nativos, ex√≥ticos ou em rota migrat√≥ria conforme determina a legisla√ß√£o.

Motivos n√£o faltam para nos envolvermos, enquanto cidad√£os e sociedade, na defesa dos mais vulner√°veis, denunciando ocorr√™ncias de maus-tratos e crueldade aos animais para as autoridades competentes, por√©m a experi√™ncia de quem denuncia tamb√©m revela que nem sempre existe capacita√ß√£o dos agentes p√ļblicos para atuarem corretamente ao receberem tais den√ļncias.

Apesar dos maus-tratos ser considerado pela lei um crime de “menor potencial ofensivo” e possuir uma penalidade irrelevante, essa situa√ß√£o apontada na reportagem tamb√©m n√£o deixa de ser um reflexo da total aus√™ncia do Poder P√ļblico na formula√ß√£o de campanhas educativas sobre o bem-estar dos animais, da falta de investimento em pol√≠ticas massivas sobre guarda respons√°vel e incentivo √† ado√ß√£o de animais.