ūüĆĄ Se somos todos um, vamos priorizar o ser ao fazer, o ser ao querer, o ser ao ter

Prédio pintado com grafite com desenho sobre espiritualidade e mensagem "somos todos um".

Contribu√≠mos com a liberta√ß√£o dos humanos e dos animais quando simplesmente os enxergamos como s√£o em ess√™ncia.  

O mundo possui suas regras de conduta individual para a conviv√™ncia social, mecanismos para a preval√™ncia de direitos t√™m sido cada vez mais estendidos e amplamente utilizados. Se isso ainda n√£o √© suficiente, quando ser√°? Aos olhos insatisfeitos do ego, nunca.

Nenhuma luta ou combate para o respeito, para o fazer (ou n√£o fazer) precisa ser criado ou recriado, pois a manifesta√ß√£o compassiva no mundo fluir√° naturalmente no tempo de cada um e √† seu modo. Quando colocamos a energia do combate, da guerra, da luta em a√ß√£o, acabamos por contribuir para o fortalecimento daquilo que gostar√≠amos que acabasse.

Enquanto nossa mente julgadora pensa que sabe a verdade dos outros e assim acaba por acrescentar mais dor no mundo, o Ser que somos simplesmente sabe, pois √Č a verdade; que compreende, aceita e ama.

√Č preciso ser amor, ser verdade, ser compaix√£o, ser justi√ßa (que nada tem a ver com desejo de vingan√ßa)… para vermos tais atributos nas rela√ß√Ķes e no mundo.

Se ainda n√£o sustentamos estar no mundo a partir desse lugar, o lugar do Ser, podemos visit√°-lo em momentos de sil√™ncio e introspec√ß√£o. 

Quem vê no outro a dimensão do Ser além da forma se reconhece e aí está o genuíno reconhecimento preenchedor que nada tem a ver com nossos feitos.

Para mim, sentir emocionalmente o que o outro sente sempre foi algo natural, mas agora entendo melhor como se d√° esse processo. Compaix√£o n√£o √© se imaginar no lugar do outro para “sentir” sua dor, empatia tamb√©m n√£o √© se colocar no lugar do outro, pois nesses momentos √© comum fugirmos de n√≥s mesmos para tentar “salvar o outro” por supormos ser o correto a se fazer, e tudo isso acontece muitas vezes sem percebermos, pois √© a atua√ß√£o do nosso inconsciente assumindo toda a situa√ß√£o.

N√£o temos que salvar ningu√©m, mas existe um caminho mais sutil e eficaz que nos inclui e inclui aos outros. Precisamos apenas ser amor, ser presen√ßa viva e acolhedora, estarmos abertos e receptivos por inteiro quando em contato com o outro, bem conscientes de n√≥s mesmos e assim permanecermos sem nos abandonar, ser compassivo ou ser emp√°tico n√£o √© sobre lutar, n√£o √© sobre salvar “v√≠timas de monstros”, √© sobre estar junto, pois √© somente ocupando esse lugar interno de poder que conseguimos realmente ver, perceber o outro, perceber o todo, facilitando o transbordar do amor incondicional que flui atrav√©s de n√≥s em dire√ß√£o aos outros seres, lugar de genu√≠no poder de onde ocorrer√° ou n√£o a√ß√Ķes.

N√£o s√£o exatamente nossos pensamentos ou a nossa mente que se coloca no lugar do outro porque nesse lugar s√≥ existe alteridade, s√≥ existem diferen√ßas, cren√ßas, repert√≥rios individuais, distin√ß√£o, separa√ß√£o, dualidade; mas sim a¬†consci√™ncia que somos √© quem “enxerga” e inclui naturalmente o “outro” e ao “fazermos” isso podemos experimentar o sentimento de unidade, pois estamos agimos no mundo a partir do Ser. Nossa mente √© apenas uma pequena parte da consci√™ncia que somos que √© muito mais ampla e est√° na totalidade do ser.

Sair de si significa atuar a partir do ego julgador e condicionado, da mente limitada que geralmente n√£o √© capaz de transformar positivamente a si, quem dir√° aos outros, basta darmos uma olhada no notici√°rio para perceber o que egos s√£o capazes de fazer a si mesmos e aos outros, muitas vezes em nome do “amor”, de “deus”, da “honra”…

S√≥ v√™ o pr√≥ximo quem se disp√Ķe a enxergar as profundezas da vida, o que pode ser feito atrav√©s de si, do contr√°rio vivemos na superficialidade ilus√≥ria que nos afasta de n√≥s mesmos.

Reconhecer a si mesmo no outro é encontrar a morada do amor que liberta, o amor livre, o amor incondicional que redime o mundo.