ūüéĄ √Č natal…

Menino Jesus na manjedoura com seus pais e os animais

O significado espiritual do Natal é o nascimento do Cristo em cada um de nós. As luzes que enfeitam as casas, que por sua vez enfeitam as cidades, podem representar simbólica e inconscientemente, o profundo anseio que temos em nos conectar com a nossa luz interior, em irradiar e expandir a nossa luz.

Com um sincero comprometimento, a nossa luz pode se intensificar tanto a ponto de abranger aqueles que est√£o pr√≥ximos e n√£o t√£o pr√≥ximos de n√≥s. A luz √© para todos, √© como a vela que, uma vez acesa, vai iluminando tudo ao redor, lenta e constantemente. Em todos os seres vivos, em todas as manifesta√ß√Ķes da vida habita o divino e o ser humano pode acessar ou escolher conscientemente acessar e sustentar essa luz dentro de si, reconhecendo o ser divino que √©, para si e para a contribui√ß√£o com o Todo, em unifica√ß√£o com todos os seres humanos, animais, natureza. Todos n√≥s seguimos prop√≥sitos evolutivos no macrocosmo, ocupamos corpos diferentes nesse espa√ßo e n√≥s, humanos, podemos relembrar quem verdadeiramente somos em ess√™ncia.

Alguns se sentem mais alegres no Natal, outros mais tristes, tudo bem isso ou aquilo porque cada um de n√≥s carrega emo√ß√Ķes e experi√™ncias acerca desta data, mas proponho aqui fugirmos de cobran√ßas internas e externas, dos padr√Ķes certo x errado. Podemos encontrar uma oportunidade para silenciar um pouco os julgamentos do nosso ego que nos conduz √†s ilus√≥rias separa√ß√Ķes excludentes (humanos “bons” x humanos “maus”; humanos x animais; humanos x natureza) para ent√£o nos presentearmos com a verdade que se revela em nosso sil√™ncio interior, com o nosso centro de equil√≠brio atrav√©s de minutos de introspec√ß√£o, de conex√£o silenciosa com o nosso cora√ß√£o, simplesmente em rever√™ncia √† vida como ela √©, ao mundo como ele est√°. Este exerc√≠cio pode acabar nos retirando um pesado fardo das nossas costas. E fardo nenhum √© necess√°rio carregarmos porque o objetivo √© caminharmos para o essencial da vida que passa pela abertura do cora√ß√£o e n√£o paralisarmos em sentimentos de culpa ou autopuni√ß√£o.

Se estamos vivos aqui neste planeta como seres humanos, misturados à dor, injustiças e sofrimentos, eis a grande oportunidade de criarmos um mundo diferente a partir de nossa existência. Nosso desafio é buscarmos a sustentação prática do amor que vem da fonte interior (e não de outros seres, de alguma entidade externa ou distante), nos conectando e nos preenchendo de virtudes que gostaríamos de ver nos outros e no mundo. Se os outros ou o mundo não nos oferece amor, acolhimento, paz e tampouco oferece aos animais, sejamos a paz em ação, o amor em ação em nossas vidas, mas isso requer leveza e honestidade conosco mesmos, humildade ao nos darmos conta de que nos compete transformar unicamente a nós mesmos.

A maioria de n√≥s permanece na separa√ß√£o ego√≠stica porque n√£o compreendeu a ess√™ncia do amor que √© incondicional, infinito e abundante. S√≥ quem se conecta com o amor da pr√≥pria ess√™ncia pode amar. A comunh√£o e a fraternidade somente √© poss√≠vel quando vamos percebendo e integrando nossas imperfei√ß√Ķes humanas n√£o no sentido de um conformismo, mas com aceita√ß√£o e compaix√£o a fim de que possamos transpass√°-las, percebendo mais a n√≥s mesmos para ent√£o perceber os outros a partir de nossa humanidade compartilhada, ao inv√©s de julgar ou discriminar. E assim, naturalmente vamos sustentando um pouco mais a manifesta√ß√£o da nossa luz interior, corporificando e contribuindo com a expans√£o da consci√™ncia cr√≠stica neste maravilhoso planeta.

Amor, compaix√£o, perd√£o, nascimento, renascimento… s√£o algumas palavras que podemos rememorar no dia de Natal para que nos inspiremos a praticar a consci√™ncia cr√≠stica na nossa vida di√°ria. Ao incluirmos em nossa considera√ß√£o os animais (n√£o participando da viol√™ncia atrav√©s da absten√ß√£o de consumo de seus corpos, por exemplo) e, evidentemente, estendendo nossa compaix√£o aos seres humanos, ou vice-versa, encontramos formas de manifestar o divino que habita em n√≥s, compreendendo que todos os seres t√™m o seu valor intr√≠nseco e cada pessoa humana tem o direito divino de fazer suas pr√≥prias escolhas conforme seu grau de consci√™ncia.

A verdadeira compaix√£o n√£o √© seletiva, ent√£o ela pode ser sentida e praticada inclusive perante aqueles que mais nos ofendem ou que mais ofendem os animais, pois aqueles que violentam ou agridem outros seres certamente s√£o os que mais necessitam encontrar o amor. √Č o amor que liberta do sofrimento. Ent√£o, em primeiro lugar, talvez dev√™ssemos incluir verdadeiramente a n√≥s mesmos nessa compaix√£o, talvez possamos deixar atuar a nossa parte mais essencial ou divina que est√° muito al√©m de nossos quereres egoc√™ntricos que causam sofrimento a n√≥s e aos outros quando nos julgamos, quando queremos controlar as atitudes alheias, quando nos separamos em disputas in√ļteis de compara√ß√£o, competi√ß√£o, quando nos perdemos em sentimentos inferiores de vingan√ßa, √≥dio, exclus√£o, medo…

Que neste dia possamos dar uma tr√©gua aos pensamentos julgadores e sejamos inspirados a sentir o mundo e os outros um pouco diferente do que estamos acostumados. Que possamos nos acolher em nossas dores e desafios. Que possamos abrir m√£o do controle da vida e dos outros, daquilo que “deveria ser”, do que deveriam fazer ou n√£o fazer… Que a certeza absoluta de um prop√≥sito maior e divino da nossa exist√™ncia humana nestes tempos aqui na Terra, muito al√©m de nossa pequena mente, possa nos guiar. Que nossa mente humana possa se reconectar com nosso cora√ß√£o que sabe amar incondicionalmente. Podemos nos conectar com a consci√™ncia cr√≠stica para sermos contribuintes da liberta√ß√£o humana e animal. Que n√£o nos falte coragem, palavra esta que significa a√ß√£o do cora√ß√£o!

Que ent√£o espalhemos a compaix√£o, na mesa atrav√©s de refei√ß√Ķes sem animais no prato, ou fora dela, em nossas rela√ß√Ķes humanas; porque uma coisa n√£o exclui a outra. Que assim o sil√™ncio de nossa mente e o pulsar de nosso cora√ß√£o possa ganhar mais espa√ßo para emergir o nosso ser, que esse vazio repleto de luz e de vida nos abaste√ßa, para que possamos compartilhar desse amor genu√≠no e transbordar compaix√£o para todos os seres, para aqueles que amamos e principalmente para aqueles que (ainda) n√£o amamos, sem excluir ningu√©m. Essa √© a minha ora√ß√£o de Natal.

Al√©m de cren√ßas ou opini√Ķes individuais, de celebrarmos ou n√£o o Natal, se vinte e cinco de dezembro foi ou n√£o o dia real do nascimento de Jesus, de relacionarmos ou n√£o este dia com antigas festividades pag√£s ou ainda ficarmos presos na identifica√ß√£o com o sofrimento de animais mortos que s√£o servidos em muitas mesas natalinas, o profundo significado deste dia vai al√©m de tudo o que √© mundano, transit√≥rio e imperfeito.

Neste dia de Natal você pode estar na sua própria companhia, mas ainda assim nunca estará só, pois todos nós portamos a nossa luz interna que a qualquer momento pode se manifestar se assim permitirmos, porque somos amor. No dia de Natal talvez você esteja reunido em família, em grupos, talvez não, isso não é o que mais importa. Você pode se sentir mais alegre ou mais triste de um jeito ou de outro e tudo bem, vamos curtir ou acolher o nosso momento.

De qualquer maneira, o Natal pode nos reservar uma oportunidade maior de entrarmos em contato com a nossa luz interior, a nossa ess√™ncia divina que √© perfeita e eterna. √Č somente neste espa√ßo interno de sil√™ncio, n√≥s conosco mesmos, estejamos a s√≥s ou acompanhados, que podemos encontrar a verdadeira paz e conforto para tudo aquilo que nos entristece no mundo exterior.

O Natal é uma oportunidade de renovarmos o nosso compromisso com a Vida, de sermos canal de entendimento, de compreensão, de compaixão, de reencontro e, se possível, de partilha dessa nossa força interior. Natal não é mero consumismo ou encontros familiares obrigatórios, também não é veneração de uma personalidade distante ou inalcançável. Natal é oportunidade de corporificarmos um pouco mais da consciência crística em nosso ser, de nos inspirarmos em sentimentos mais elevados para sermos o próprio Cristo em ação, manifestando em cada ato o ser divino que somos.

O Natal √© o reacender da nossa luz interna, o renascimento do autoamor genu√≠no, a despeito de nossas limita√ß√Ķes humanas, para que possamos ir acessando e estendendo um pouco mais desse amor divino e incondicional que encontramos nas profundezas do nosso ser √† todos os seres, aos nossos pr√≥ximos e √† humanidade. Eis o profundo significado do Natal, que tomara seja o norte do dia de hoje e de nossos futuros dias.